Amigos e amigas,
O ano está para terminar...
Durante essas três centenas de jornadas, passamos horas diante desta tela mágica cheia de sons e cores, de idiomas distintos e informações volumosas, de possibilidades infinitas e problemas imprevisíveis.
Do lado de cá da tela, as alegrias e tristezas de nossa vida, as esperanças e os desencantos dos nossos caminhos, o anseio pela comunicação que nos torna irmãos da humanidade, a sede de conhecimento que nos impulsiona a alargar horizontes, as descobertas inusitadas que nos encorajam a sonhar o impossível.
Do lado de lá da tela, as coisas da dor e do amor. As da dor vêm embrulhadas em notícias sobre as inúmeras formas de violência, as perdas que atingem amigos e anônimos, a desonestidade que campeia entre aqueles que têm o dever de prover o bem e não o fazem, a morte que ceifa aquelas vidas das quais partilhávamos diariamente... ‘via e-mail’.
As do amor, felizmente, assumem formas mais constantes e variadas... Falo do amor dos amigos – às vezes também reais, às vezes apenas virtuais – que não economizam solidariedade com nossos problemas de fácil ou difícil solução. Falo da fé dos irmãos – professada de mil maneiras, porque Deus abençoa sem parar a criatividade de suas criaturas – que se derrama através das orações e ‘pensamentos positivos’ quando nos queixamos de nossas angústias grandes ou pequenas. Falo da disponibilidade daqueles que com sinceridade oferecem ajuda e tanto nos comovem que, mesmo que não lhes peçamos nada de especial, nos sentimos profundamente ‘ajudados’. Falo da empatia dos que conseguem sentir o que sentimos tão intensamente, que parecem assumir parte da nossa carga...
Entendo que a ‘parte da dor’ é como um longo Advento que nos prepara duramente, nos testa à saciedade, nos purifica em definitivo. E a parte do amor é o nosso Natal. O presépio que se desenha diante dos nossos olhos – apesar do consumismo que teima em brilhar mais que ele – é uma prova disso. Não é, pois, Maria o exemplo ímpar da fé capaz de remover montanhas e que, na nossa realidade, é representada pelos irmãos que se colocam ao nosso lado? Não é, pois, José o protótipo da solidariedade e que, na nossa realidade, é representado por todos aqueles que oferecem ajuda? Não é, pois, o Menino, a presença viva de Deus que não conseguimos definir, mas que nos faz descobrir a força onde a fraqueza impera, a certeza onde a dúvida parecia vencedora, a coragem onde o desânimo teima em florescer?
Acredito que sim. Por isso, desejo-lhes um Natal limpo e interior, que se coloque acima da ceia e da árvore, da troca de presentes e das festas de confraternização. Um Natal que alicerce a vida e impulsione o bem. E que, assim, providencie o necessário para um Feliz Ano Novo.
Maria Elisa Zanelatto
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